Uma operação realizada ao longo desta semana, que contou com a participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de outras instituições, revelou um caso de trabalho escravo em uma fazenda localizada no município de Santa Inês, situado no Vale do Jiquiriçá.
Onze membros de uma mesma família foram resgatados de uma situação análoga à escravidão, evidenciando as condições desumanas enfrentadas por trabalhadores rurais. O grupo trabalhou por 30 dias em uma fazenda de gado do ex-prefeito do município, José Wilson Nunes Moura. Não havia registro nem pagamento de salário. Depois do período, eles foram expulsos da propriedade.
A força-tarefa, composta por servidores do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Secretaria da Justiça e Direitos Humanos (SJDH) do Governo do Estado, iniciou a ação entrevistando os trabalhadores no assentamento onde estavam abrigados após serem expulsos da propriedade. Os depoimentos confirmaram a existência de trabalho degradante, exigindo apoio operacional da PRF para a inspeção na fazenda.
Durante a vistoria, foram constatadas irregularidades nos alojamentos e no armazenamento de agrotóxicos, representando riscos graves à saúde e à segurança dos trabalhadores. Como resultado, o galpão de armazenagem e os alojamentos foram interditados pela auditoria-fiscal do trabalho, que identificou a servidão por dívida e condições análogas à escravidão. Autuações e multas serão aplicadas aos responsáveis, e a reabertura dos locais interditados só ocorrerá após o cumprimento de todas as exigências legais.
O que diz o ex-prefeito
Em um áudio amplamente compartilhado nas redes sociais, o ex-prefeito Wilson Moura se defendeu das acusações de abandono de famílias que foram trazidas por ele para trabalhar em sua fazenda. No áudio, com duração de mais de 5 minutos, Moura expôs sua versão dos fatos e afirmou sentir-se injustiçado diante das acusações e do relato de uma agente comunitária que acolheu o grupo após sua saída da fazenda.
Moura iniciou sua defesa explicando que trouxe cinco famílias da cidade de Jacobina, assumindo todos os custos relacionados à mudança, incluindo frete, casas pintadas e equipadas com energia elétrica e água encanada de boa qualidade. Ele também destacou ter comprado colchões, camas de casal e de solteiro para os membros das famílias.
O ex-prefeito alegou que existe uma perseguição política envolvida no caso e ressaltou que as famílias foram contratadas com salário mínimo, em acordo firmado com o pessoal da prefeitura. Segundo Moura, ele entrou em contato com a agente comunitária para que ela auxiliasse na transferência dos trabalhadores e providenciasse o transporte necessário. Ele mencionou ainda que uma mulher em estado de pré-natal foi prontamente atendida pela prefeitura.
Moura prosseguiu afirmando que, no vigésimo oitavo dia de trabalho, as famílias procuraram-no para informar que não desejavam mais permanecer na fazenda, alegando terem encontrado oportunidades de trabalho melhores em Santa Inês.
Em sua fala final, o ex-prefeito afirmou que apresentará todas as provas necessárias para comprovar sua inocência e aguardará a decisão da justiça. Ele expressou satisfação por ter recebido uma fiscalização e destacou a importância de alertar outros produtores para que não passem pela mesma situação que ele está enfrentando. Moura concluiu dizendo que agora resta aguardar, apresentar as evidências que possui e ver o desenrolar dos acontecimentos no futuro.















































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