A campanha eleitoral finalmente começou. Este ano, por força das eleições gerais, elegemos deputados estaduais e federais e senadores já no primeiro turno, podendo adiar a escolha de governador e presidente para o segundo turno. São muitos votos e poucos candidatos — essa é a impressão que temos quando comparamos com outras eleições.
Na Bahia, a tendência é de que a eleição seja liquidada no primeiro turno. A matemática é simples: menos candidatos, mais votos concentrados, o que pode fazer com que um candidato ultrapasse a maioria dos votos válidos já no primeiro turno. Chegamos à campanha, neste domingo (16.ago.26), tendo um franco favorito: o governador Jerônimo Rodrigues, que repete a disputa de 2022 contra ACM Neto — bem verdade que, agora, em um cenário totalmente diferente.
O mandatário larga como favorito por força de dois principais pontos. O primeiro é a máquina pública. É inegável que o governador, sentado na cadeira e com toda a estrutura que tem ao seu dispor, já goza de certo favoritismo. O segundo é a articulação política. Jerônimo se articulou politicamente nos últimos quatro anos, marcando presença no interior baiano e angariando a simpatia dos prefeitos, que, em sua grande maioria, estão defendendo o seu nome.
Já a oposição, apesar de bem mais encorpada e robusta do que em 2022, enfrenta algumas dificuldades. A primeira é justamente essa penetração no interior. Mesmo tendo um vice do interior em sua chapa — o ex-prefeito Zé Cocá —, a dificuldade de Neto ainda é chegar aos rincões do Estado, onde Jerônimo já pousou de helicóptero há tempos.
Apesar disso, é de se destacar a mudança no comportamento de ACM Neto em comparação com a campanha de 2022. Na última eleição, em que era favorito, o ex-prefeito de Salvador cometeu erros que lhe custaram a estadia por um mandato no Palácio de Ondina. Primeiro, na escolha da chapa. Em 2022, a vice não gerou acréscimo eleitoral, enquanto, em 2026, o vice tem história e experiência política no interior.
Depois, na chapa ao Senado, quando houve, em cima da hora, a troca de João Leão por Cacá, que acabou sendo derrotado por Otto. Em 2026, a mudança impacta muito o terceiro ponto que aqui levanto. A chapa ao Senado é composta por um senador que saiu da base do governo, Angelo Coronel, e pelo presidente do PL, João Roma, que foi candidato a governador em 2022, levando boa parte do eleitorado de que Neto precisava. Além disso, em 2022, Jerônimo e Rui tiveram a expertise de agregar as bandas A e B dos municípios ao seu projeto, isto é, grupos politicamente opostos que, apesar das divergências locais, fizeram campanha para o mesmo governador. Este ano, Neto conseguiu atrair muitos desses integrantes da chamada “banda B”, aproximando-se de grupos de oposição local em diversos municípios.
Mesmo com tudo isso, a dificuldade maior de Neto se concentra em uma chapa encabeçada inteiramente pelo PT, que tem dois ex-governadores que deixaram seus mandatos bem avaliados e fizeram sucessor — Rui e Wagner —, além de ter que lidar com o efeito Lula, que tem afastado o desgaste e se mantido como líder nas últimas pesquisas.
Na somatória total, Jerônimo tem condições que lhe credenciam a largar na frente. Mas, em uma eleição acirrada, de dois grupos majoritários extremamente competitivos, vale a máxima de Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou.”





















































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