Uma operação deflagrada nesta segunda-feira (13.jul26) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA), afastou dos cargos o secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro de Salvador, Luciano Sandes, e o vereador licenciado George Carlos Reis Pereira (PP), conhecido como Gordinho da Favela.
Ambos são investigados por suposta participação em uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e contratos públicos da capital baiana. As investigações apontam um prejuízo estimado em R$ 38.321.127,95 aos cofres públicos.
Segundo o Ministério Público, o grupo teria atuado por aproximadamente 10 anos dentro da administração municipal, especialmente na Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman) e na Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal).
Ao todo, 19 pessoas físicas e cinco empresas são investigadas na operação. Entre os crimes apurados estão fraudes em licitações, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, direcionamento de contratos públicos, superfaturamento de pagamentos e ocultação da movimentação de recursos públicos.
De acordo com o MP-BA, as investigações identificaram indícios de irregularidades em diversos pregões eletrônicos e contratos administrativos, incluindo direcionamento de licitações, pagamentos acima dos valores contratados e supostos repasses financeiros a agentes públicos.
Além do afastamento cautelar de Luciano Sandes e Gordinho da Favela, o Ministério Público solicitou a prisão preventiva dos dois e de outros quatro investigados. Os pedidos, entretanto, foram negados pela Justiça. A decisão também proibiu que os investigados mantenham contato entre si durante o andamento das investigações.
Durante a operação foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diversos endereços de Salvador, incluindo salas comerciais no edifício CEO Salvador Shopping, galpões localizados em Porto Seco Pirajá e imóveis de alto padrão nos bairros de Pituaçu e Horto Florestal. A Justiça também determinou a indisponibilidade de bens dos investigados até o limite de R$ 38,3 milhões, valor correspondente ao suposto prejuízo causado ao erário.
Luciano Sandes é apontado como um dos principais investigados. Antes de assumir a Secretaria de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, ele comandou justamente a Seman, uma das pastas sob investigação. Já o vereador Gordinho da Favela, filiado ao Progressistas (PP), também figura entre os principais alvos da operação.
Em nota, a Prefeitura de Salvador informou que cumprirá integralmente a decisão judicial, colaborará com as investigações e instaurará procedimento administrativo para apurar eventual dano ao patrimônio público.
A Câmara Municipal de Salvador destacou que Gordinho da Favela está licenciado do mandato desde o dia 18 de maio por um período de 140 dias e afirmou que aguarda comunicação oficial da Justiça para adotar as medidas previstas no regimento interno.
Também por meio de nota, Luciano Sandes afirmou ter recebido a operação com surpresa, declarou confiar na elucidação dos fatos e informou que solicitou espontaneamente sua exoneração do cargo para dedicar-se integralmente à defesa. O ex-secretário negou qualquer participação em atos ilícitos e afirmou que sua trajetória pública sempre foi pautada pela honestidade e pela legalidade.
Já Gordinho da Favela informou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e, por isso, desconhece os elementos que fundamentam a apuração. O vereador afirmou estar à disposição do Ministério Público e da Justiça para prestar esclarecimentos e disse confiar que a legalidade de sua conduta será demonstrada ao longo do processo.
















































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