O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras. A medida, anunciada na quarta-feira (9), deve entrar em vigor no dia 1º de agosto.
Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta quinta-feira (10), Lula afirmou que o Brics — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países emergentes — vai seguir discutindo mecanismos para realizar comércio com menos dependência do dólar.
“Nós cansamos de ser subordinados ao Norte. Queremos ter independência nas nossas políticas. Estamos discutindo a possibilidade de uma moeda própria ou de usar as moedas locais nas transações”, disse o presidente.
Na carta enviada ao governo brasileiro, Trump justificou a tarifa citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde a processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
“A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro é uma vergonha internacional”, escreveu Trump.
O norte-americano também reclamou da balança comercial com o Brasil, classificando o relacionamento atual como “injusto” e “desequilibrado”. Além disso, Trump ameaçou aumentar as tarifas caso o governo brasileiro reaja com medidas similares, e afirmou que mercadorias transbordadas para evitar a taxa também serão tarifadas.
Lula disse que não pretende conversar com Trump no momento, mas afirmou que o Brasil buscará abrir novos mercados para proteger o setor produtivo nacional.
“Ele [Trump] não mandou uma carta formal. Publicou no site dele, sem qualquer respeito. Eu não sou obrigado a aceitar esse comportamento. Relações entre chefes de Estado devem ser baseadas no respeito”, afirmou.
O presidente brasileiro defendeu que, em vez de adotar medidas unilaterais, os EUA poderiam levar o tema ao G20. “Se ele tivesse divergência, que levasse ao G20 para uma discussão civilizada. O que ele não pode é agir como se fosse dono dos outros”, completou.
Durante a entrevista, Lula também comentou sobre a manutenção do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), suspenso temporariamente por decisão do STF. O presidente afirmou que, se houver necessidade de cortar R$ 10 bilhões, as emendas parlamentares também serão afetadas. “Eu vou manter o IOF. Se tiver um item errado, a gente corrige. Mas não aceitarei retrocessos”, declarou.
O Supremo Tribunal Federal agendou uma audiência de conciliação entre o governo federal e o Congresso sobre o tema para o dia 15 de julho, em Brasília.














































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