Governadores de diferentes estados anunciaram, nesta quinta-feira (30.out.2025), a criação do “Consórcio da Paz”, uma aliança interestadual voltada à integração de ações de segurança pública. A iniciativa foi proposta pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), durante reunião realizada no Rio, dias após a Operação Contenção, considerada a mais letal da história do estado.
Segundo Castro, o consórcio pretende compartilhar inteligência, contingente e recursos financeiros entre os estados, fortalecendo o combate ao crime organizado. A sede do grupo deve ser instalada no Rio de Janeiro, mas a coordenação será colaborativa entre os estados.
“É do Rio e para o Brasil”, afirmou o governador, destacando que a criação do consórcio não é uma reação política à PEC da Segurança Pública, em tramitação na Câmara dos Deputados. “É a favor do nosso povo, é pelos nossos estados. Não é PEC ou não PEC”, disse.
Participaram do encontro os governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Eduardo Riedel (PP-MS) e Jorginho Mello (PL-SC). O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) participou por videoconferência, e o Distrito Federal foi representado pela vice-governadora Celina Leão (PP).
Jorginho Mello afirmou que o consórcio deve envolver todos os 27 estados brasileiros: “Vamos perseguir isso: trocar experiências, emprestar material humano e fazer compras consorciadas.”
O encontro ocorreu em meio à repercussão da Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28.out), que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio. A ação mobilizou mais de 2,5 mil policiais e é considerada a maior e mais letal operação já registrada no estado.
Apesar das críticas de entidades de direitos humanos, Romeu Zema defendeu a operação: “Deveria ser considerada a mais bem-sucedida. Não vi falar de inocente que foi morto, o que geralmente acontece por parte dos criminosos.”
Os governadores também reforçaram críticas à PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo federal, que amplia o poder da União sobre as políticas de segurança. Para eles, a medida tira a autonomia dos estados e centraliza decisões em Brasília.
“O que não dá é para a segurança pública ser uma coisa enlatada. Cada estado tem suas especificidades”, disse Castro. O consórcio será formalizado nas próximas semanas e deve propor ações conjuntas de inteligência e combate ao crime organizado, além de cooperação técnica e financeira entre os estados participantes.















































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