O jaguaquarense Ilmar Galvão, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), está entre os 13 ministros aposentados que assinaram uma carta dirigida ao atual presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a apuração dos fatos que vêm provocando uma das mais graves crises institucionais enfrentadas pelo tribunal.
Na manifestação, divulgada nesta terça-feira (8.set.2026), os ex-ministros afirmam ter “plena confiança” na condução de Fachin e defendem que o presidente do Supremo convoque, com urgência, uma sessão pública do Plenário para que os ministros determinem a “imediata e rigorosa apuração” dos fatos.
Os signatários afirmam que os acontecimentos recentes são de extrema gravidade e que sua divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade do STF, além da confiança da população na Corte e da estabilidade das instituições democráticas.
A carta não cita nominalmente os ministros envolvidos na atual crise. A manifestação ocorre em meio ao embate entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, que envolve questionamentos sobre a condução de investigações relacionadas ao caso Banco Master e informações produzidas pela Polícia Federal.
Natural de Jaguaquara, no Vale do Jiquiriçá, Ilmar Nascimento Galvão nasceu em 2 de maio de 1933. Segundo o próprio STF, ele iniciou os estudos na cidade natal, no Ginásio Taylor-Egídio, antes de seguir para Jequié e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, onde cursou Direito.
Galvão foi nomeado ministro do Supremo em 1991 e tomou posse naquele ano. Também ocupou a vice-presidência da Corte antes de se aposentar, em maio de 2003. Em 2025, o Tribunal de Justiça da Bahia lançou uma obra dedicada à sua trajetória, destacando sua origem em Jaguaquara e sua chegada ao STF.
Além de Ilmar Galvão, assinam a carta Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber. O grupo pede que Fachin conduza uma resposta institucional diante da crise e reforce a apuração pública dos fatos, com respeito às garantias previstas no ordenamento jurídico.
Leia abaixo a manifestação na íntegra:
“Não nos referimos, na moção em causa, a qualquer episódio específico. O texto em questão guarda equidistância em relação aos casos (e eventos) que têm provocado perda da confiança social na integridade, imparcialidade e independência dos juízes do STF, sério desgaste da autoridade da Suprema Corte e grave declínio de respeitabilidade de uma das mais importantes e históricas instituições da República!
Ministros, quaisquer que sejam, devem impedir que eventuais condutas ilícitas — ou mesmo comportamentos eticamente censuráveis — projetem sobre o Supremo Tribunal Federal a sombra corrosiva da suspeita.
Nenhuma autoridade está acima da lei, nem pode invocar a dignidade do cargo para subtrair-se ao escrutínio público.
Quem compromete a própria integridade fere também a confiança pública depositada na instituição.
O STF é maior do que todos e cada um de seus Ministros — e não pode ser convertido em escudo protetor de desvios individuais.
A publicidade dos julgamentos, de outro lado, constitui garantia essencial da República e instrumento indispensável de controle democrático do poder.
Quando estão em causa o interesse da sociedade, a moralidade pública e a própria integridade das instituições, não há espaço para sombras, opacidade ou subtração de decisões ao escrutínio dos cidadãos.
A Justiça exercida em nome do povo deve realizar-se sob os olhos do povo, pois o segredo injustificado alimenta a desconfiança, fragiliza a legitimidade das decisões e compromete a credibilidade do Poder Judiciário.
A luz da publicidade não constrange a magistratura: protege-a, dignifica-a e recorda-lhe que, em uma democracia, nenhum poder é absoluto nem pode furtar-se à prestação pública de contas.
Daí a moção dos ex-Presidentes da Corte haver sugerido julgamento colegiado pelo Plenário do STF, em ambiente e caráter públicos!”






































































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