O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu vista nesta quarta-feira (16.set.2026) e suspendeu o julgamento que discute se os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser analisados conjuntamente.
O placar parcial estava em 4 votos a 3 pela tramitação separada dos processos. Votaram pela análise conjunta Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Dino também havia indicado concordância com o julgamento conjunto, mas pediu que sua posição não fosse contabilizada no placar por ter solicitado vista.
Pela análise separada votaram o presidente do STF, Edson Fachin, além de Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça. O pedido de vista ocorreu após uma discussão entre Gilmar Mendes e Mendonça durante a sessão. O episódio começou depois de uma manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Mendonça afirmou que poderia avaliar se deveria ter tomado determinadas decisões no caso caso conhecesse os fatos atuais. Gilmar interrompeu a fala e criticou a postura do colega. Mendonça reagiu e pediu respeito. O bate-boca prosseguiu antes da intervenção de outros ministros.
O STF começou a analisar na terça-feira (15.set) a Petição 16.662, relacionada a um relatório da PF (Polícia Federal) que reúne 52 mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e que mencionam Moraes.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a anulação do relatório. O órgão argumenta que Mendonça teria permitido o avanço de apurações envolvendo Moraes sem comunicar previamente o presidente do STF ou o plenário da Corte.
Durante a sessão, Gilmar Mendes apresentou questão de ordem para que a Petição 16.662 seja julgada conjuntamente com a Petição 16.704, que trata de supostas irregularidades na condução do caso Master por Mendonça.
Gilmar também defendeu a redistribuição dos processos entre os ministros do STF, retirando a relatoria de Fachin. A proposta dividiu o plenário. Fachin, Fux, Cármen Lúcia e Mendonça defenderam a análise separada. Gilmar, Moraes e Zanin votaram pelo julgamento conjunto.
O relatório sobre Moraes foi divulgado em 1º de setembro, depois que Mendonça retirou o sigilo do documento. O material reúne mensagens que, segundo a PF, teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes entre 2023 e novembro de 2025.
Entre os conteúdos citados está uma conversa em que Vorcaro aparenta tratar com Moraes sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em outro trecho, Vorcaro teria buscado informações sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão. Ele foi preso preventivamente em 17 de novembro de 2025. Moraes negou irregularidades e classificou o relatório como inconstitucional e ilegal.
Após a divulgação do documento, Moraes encaminhou a Fachin outro relatório, atribuído à PF, que levantava suspeitas sobre a condução da Operação Compliance Zero por Mendonça. O material, porém, não tem assinatura ou timbre da corporação e traz a indicação de que foi produzido como conjectura e sem valor probatório.
Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça. O STF marcou a análise do pedido para 23 de setembro. Com o pedido de vista de Dino, não há data definida para a retomada da análise da questão de ordem. O mérito da Petição 16.662 ainda não foi julgado.





































































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